Peter Pan

Peter Pan é um livro infantil escrito por Monteiro Lobato e publicado em novembro de 1930.

Dona Benta conta para o pessoal do Sítio do Picapau Amarelo a história de Peter Pan, o menino que não queria crescer, da autoria do escritor J.M. Barrie.


Capítulos

    Peter Pan
    A Terra do Nunca
    A Lagoa das Sereias
    A Morada Subterrânea
    O Navio dos Piratas
    A Volta





Encontramos também um trabalho falando sobre este livro:

Peter Pan foi criado em 1904, como uma peça teatral para adultos. Somente em 1911, surge a adaptação para a versão infantil da obra (Barrie, 1911, Peter Pan), que se transformou em um grande clássico da literatura infantil e infanto-juvenil.
Peter Pan já tem um século de existência e até hoje desperta o interesse dos leitores. O clássico teve tanto sucesso, cativando o publico em geral, que acabou passando da literatura para as telas do cinema.

 Várias versões já foram publicadas, e foram adaptadas de acordo com a moral e os costumes da sociedade, fazendo com que a obra original sofresse alterações no enredo e nos personagens. Veremos aqui, a modificação (adaptação) dos personagens (e da história) criados no início do século passado. Será que as continuam fiéis à obra original?

Esse será o objeto da pesquisa, considerando três obras que serão comparadas: Peter Pan (de James Barrie, a obra original), Peter Pan (adaptado por Monteiro Lobato, no qual os episódios são discutidos pelos personagens do sítio do pica-pau amarelo), e a adaptação cinematográfica dos estúdios Disney.

OBJETIVO GERAL

Identificar as mudanças estéticas e psicológicas do personagem Peter Pan, considerando a obra original; a versão de Monteiro Lobato e a versão da Disney.


OBJETIVO ESPECÍFICO

Analisar cada obra dentro do contexto histórico em que foi criada.
- Destacar e caracterizar o personagem dentro das obras;
- Estabelecer semelhanças e diferenças entre os textos;
- Apresentar o significado de cada uma dessas produções considerando o período histórico;

HIPÓTESE

Por meio deste estudo, levantamos a hipótese de que o personagem Peter Pan, de James Barrie, sofreu modificações estéticas e comportamentais com as diferentes adaptações, tanto nas reescritas quanto no formato cinematográfico em função do momento.

METODOLOGIA

Para a verificação desta hipótese, através de uma pesquisa bibliográfica, foi feito uma análise comparativa entre três obras: o livro original “Peter Pan”, de James Barrie, a reescrita brasileira “Peter Pan”, de Monteiro Lobato, e a adaptação cinematográfica “Peter Pan”, dos estúdios Disney.

INSTRUMENTOS

As três obras estudadas: o livro original “Peter Pan”, de James Barrie, a reescrita brasileira “Peter Pan”, de Monteiro Lobato, e uma análise acadêmica que fala sobre a adaptação cinematográfica “Peter Pan”, dos estúdios Disney. Além disso, o grupo teve encontros semanais no laboratório de Informática, e pesquisa e locação de livros na Biblioteca central da PUCRS.

PETER PAN NA OBRA ORIGINAL E NAS VERSÕES: UMA ANÁLISE COMPARATIVA

A literatura infanto-juvenil, que tem uma tradição que vêm desde o século XVIII, é um gênero literário que é proveniente dos contos de fadas, que eram estórias que, por meio da tradição oral, eram contadas nos meios europeus e orientais, nas quais os valores e tabus de determinadas sociedades eram trabalhados alegoricamente. Dois princípios norteadores podem ter a literatura infanto-juvenil: podem ser moralizantes, como eram os tais contos de fadas, e literários, que devem, antes de ser pedagógico-utilitários, ser artísticos e estimular a construção de sentidos.

No começo, a literatura infanto-juvenil tinha características moralizantes, porque estavam intimamente ligadas às necessidades burguesas do século XVIII. Ela era escrita com a intenção de sedimentar valores através dos quais a sociedade se constituía, daí, conseqüentemente, a sua natural relação com instituições como a escola e a família. O modo de vida instaurado, tanto na parte comportamental como no próprio molde de instituição familiar, aparecia visivelmente nas estórias, e os personagens não eram construídos como seres humanos, inteiros, capazes de ter dúvidas e conflitos próprios no seu plano de existência. De acordo com Carlos Reis (2003), “a narrativa tem vários elementos, e o mais significativo é o personagem”. Nos contos de fadas e nos contos tradicionais, que nem sempre eram escritos para leitores mirins, a personagem criança, quando aparecia, estava sempre ligada à inocência e à fragilidade. Eles eram feitos como estereótipos de pessoas que deveriam ser tomadas como exemplo pelas crianças, daí o seu caráter pragmaticamente utilitário, que foi criticado pela escritora brasileira Ana Maria Machado (KHÉDE, 1983), quando ela diz que “não há compatibilidade entre a literatura e a educação”.

Sendo assim, os personagens da literatura infanto-juvenil podem, com o tempo e através de reescritas, pode sofrer modificações, que podem vir tanto conforme os valores que estão em evidência no tempo e no país onde são reescritas, como para atender às exigências de um mercado de bens culturais, pois o livro passou a integrar a sociedade industrial e de consumo.

Dentre os principais personagens, do grupo que detêm o maior sucesso, o escolhido pare o presente estudo é Peter Pan, do escritor inglês James Barrie. A obra surgiu após o grande sucesso de Barrie com a peça para adultos “Peter Pan, The Boy That Wouldn´t Grow Up”, de 1904, e o conto “Peter Pan In Kensington Gardens”, de 1906. Em 1911, surge a versão infantil, com o título de “Peter And Wendy”, que daria origem ao longa-metragem da Disney, produzido em 1993.

A estória fala sobre um menino que vive em um lugar chamado “Terra do Nunca”, que fica fora do plano humano de existência, e que, como espaço de fantasia e utopia, possibilita a realização de uma combinação: Peter e a natureza. O menino é apresentado de forma a idealizar a eterna infância, pois ele decidiu não crescer, e de tal contato com o natural, é capaz de voar como um pássaro. A estória começa a partir do seu primeiro contato com pessoas reais, que se dá quando em certa ocasião, ao visitar a família com a finalidade de ouvir as histórias que a Sra. Darling conta à seus filhos, ele perde a cabeça de sua sombra, dependendo da menina  Wendy para achá-la e prendê-la ao seu corpo novamente. O confronto entre a vida selvagem e instintiva de Peter com a rotina urbana e comportamentalista da família Darling é o fio condutor da história.

Para o início da análise comparativa das mudanças estéticas e comportamentais do personagem Peter Pan, é importante enumerar algumas características que ele tem, de acordo com a obra original “Peter e Wendy”, de James Barrie:

“Acompanhava-o uma estranha luz, que teria no máximo o tamanho do punho de uma criança e corria pelo quarto como uma coisa viva. Acho que foi essa luz que acordou a Sra. Darling. Soltando um grito de susto, ela pulou da poltrona, viu o menino e não teve dúvida de que se tratava de Peter Pan. Se você, eu ou Wendy estivéssemos lá, veríamos que ele se parecia muito com o beijo da Sra. Darling. Um amor de menino, vestido de folhas e coberto da seiva que brota das árvores. Porém, o que tinha de mais fascinante eram os dentes: todos de leite. Quando percebeu que estava diante de uma mulher adulta, mostrou-lhe os dentes, quer dizer, as pequeninas pérolas de sua boca.” (BARRIE, 1939, p.10).

“Peter também conseguia ser muito educado, já que aprendera boas maneiras nas cerimônias das fadas. Assim, levantou-se e fez uma bela reverência. Contente com os modos dele, Wendy também lhe fez uma reverência, sem sair da cama.” (BARRIE, 1939, p.21).

— “Acho que teria sido melhor passá-la a ferro — disse Wendy pensativa, mas Peter, como todo menino, não se importava nem um pouco com a aparência e agora dava pulos de alegria. Esquecendo-se de que devia tanta felicidade a Wendy, pensava que ele próprio havia costurado a sombra.
— Ah, como eu sou esperto! — gritou, encantado consigo mesmo.
É uma vergonha ter de confessar que esse convencimento era uma das qualidades mais fascinantes de Peter. Para falar com toda a franqueza, nunca existiu um menino mais convencido. Naquele momento, porém, Wendy estava chocada.
— Mas é muita pretensão! — exclamou terrivelmente sarcástica. — E eu não fiz nada, não é?
— Você fez um pouquinho — o garoto respondeu com indiferença, e continuou dançando. “(BARRIE, 1939, p.23).

— “E agora é a minha vez de lhe dar um beijo?
— perguntou Peter.
Se você quiser… — ela disse com ligeira afetação, oferecendo-lhe a face de um jeito que chegava a ser um pouco vulgar. Peter, no entanto, colocou na mão dela uma bolota de carvalho que usava como botão.” (BARRIE, 1939, p.25).

“Peter conseguia dormir durante o vôo simplesmente deitando de costas e flutuando no ar. Devia isso, ao menos em parte, ao fato de ser tão leve que, se você ficasse atrás dele e soprasse, iria fazê-lo voar mais rápido.” (BARRIE, 1939, p.36).

Características de Peter Pan na obra de Monteiro Lobato:

“Em vez de responder, o menino enxugou depressa os olhos com as costas das mãos e fez um bonito cumprimento com o gorro vermelho.” (LOBATO, 1995, p.12)

A obra de Monteiro Lobato difere do original por ser mais compacta. A original de Barrie é contada em terceira pessoa, e o narrador parece ter proximidade com o leitor, pois usa falas como “…se eu e você estivéssemos lá, veríamos…”(BARRIE, c1939, p.10). Lobato, ao contar a estória em forma de um diálogo entre Dona Benta e os demais personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo, quis dar um tom de oralidade no texto, mas uma oralidade diferente da original, que centrada entre narrador-leitor. Por isso, algumas alterações foram feitas, como por exemplo: não consta o encontro de Peter Pan com a Sra. Darling. Mas tais mudanças não alteram Peter Pan significativamente, pois, quanto à caracterização estética e comportamental, o personagem permanece o mesmo, fiel ao original, com a diferença do “gorro vermelho”.

Características de Peter Pan, Filme da Disney, de 1953.

“Peter Pan, filme de 1953, adaptado da obra homônima de J.M Barrie, Trata de Um garoto órfão, que não queria crescer, líder de uma trupe de garotos, “os meninos perdidos”, que mora num lugar de fantasia povoado por piratas, índios, sereias e fadas. Peter viaja até Londres para ouvir as histórias de Wendy, a qual ele leva para a Terra do Nunca (juntamente com os irmãos dela) e a intitula mãe dos meninos perdidos. Juntos, eles enfrentam grandes aventuras e o terrível Capitão Gancho. Nesta pequena sinopse do filme, a qual talvez não faça jus ao seu enredo, podemos perceber a busca por familiares e um mundo no qual qualquer criança gostaria de viver, que se assemelha muito com a Disneylândia criada por Disney para reviver os momentos felizes da infância. Esta história foi escolhida para ser o segundo longa metragem de animação, mas o estúdio, naquele momento, não tinha todos os recursos necessários para criar os personagens e ambientes, tais como imaginados pelo diretor da Disney.
A adaptação não é o mais fiel a obra original, uma vez que sofrera alterações para receber o selo Disney de produção. A diferença mais relevante é a exclusão da tensão sexual entre Peter Pan e Wendy. Se no livro de Barrie, podemos perceber um envolvimento mais emocional dos dois personagens, culminando com o beijo que a menina da em Peter, no Filme Vemos apenas um esboço de uma tentativa de beijo, prontamente interrompida pela fada Sininho. Essa fada carrega graciosos e sensuais traços femininos além de um caráter forte, chegando a forjar até mesmo uma tentativa de assassinato à Wendy, contrariando a personalidade comum às fadas e até mesmo de outros filmes da Disney.

Como todos os filmes são adaptações e o próprio termo implica isso as mudanças são necessárias e se fazem evidentes. Como diz Mainguenau (1998), são duas cenas englobantes diferentes: A literária e a Cinematográfica. E cada uma tem sua linguagem própria. O Comprometimento dos livros é com os leitores, e o comprometimento dos filmes são com os espectadores. São dois Tipos de Públicos Diferentes, portanto são linguagens diferentes que suscitam acontecimentos diferentes, por isso as mudanças nas adaptações.
As características distintas dos personagens são moldadas num mesmo padrão de produção, o padrão Disney, caracterizado pela apresentação dos personagens (todos muito cativantes ao público), introdução da trama, desenrolar desta e resolução de todos os problemas para que no final a frase “…E viveram felizes para sempre” seja a síntese da obra. Dessa forma, características próprias dos contos de fadas (que por incrível que pareça têm, geralmente, finais tristes) e dos romances (que tendem a um final trágico também, com a morte de vários personagens) são alteradas para atingir um público próprio, o infantil, com objetivos próprios, o entretenimento, a diversão. A narrativa fantástica, no caso, de Peter Pan, é a que sofre menos mudanças,mas existe um motivo para isso: O autor a havia escrito sob a forma de peça teatral,e,em seguida, adaptando-a em uma narrativa. (Barrie era um célebre escritor de peças teatrais, atingindo o auge de sua carreira com Peter Pan). Portanto, sua escrita é muito mais visual, sendo mais facilmente transposta para a linguagem cinematográfica, ou seja, a linguagem a partir das imagens.” (apud PARMA, 2008)

A partir das leituras e comparações entre as obras, à luz das idéias de alguns teóricos da literatura, observa-se que a transformação de personagens originários de obras literatura para outros formatos (cinema) e reescritas, acarreta mudanças naturais, tanto na parte estética e comportamental deles quanto no roteiro em si. É um campo amplo, e a presente análise surge não como algo absoluto, mas como uma idéia para um estudo mais aprofundado e abrangente de Peter Pan e suas mudanças.

Comentários   

 
0 #1 luanclaudio 07-11-2014 16:03
:o :-? :-x :eek: :zzz :P :P :P :P :roll: :P :P :P :P :P
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